1 – MÉTODO DIALECTICO E O MÉTODO METAFÍSICO
01.01.2004
PONTOS E CAUSAS DAS DIVERGÊNCIAS
1º MÉTODO DIALECTICO E O MÉTODO METAFÍSICO
Como tive a oportunidade de afirmar perante a Comissão de Inquérito, as teses de acusação – se é que assim se podem chamar! – aparecem escandalosa e vergonhosamente destituídas de qualquer fundamento científico!
Como é que procedem os que me acusam ?
Que método: apresentam-me uma lista numérica, uma lista aritmética de acusações, algumas delas duma ingenuidade primitiva. Diante deles, apenas me reservam o insultante papel de responder por uma única alternativa – método do dilema ou argumentação cornuda: ou sim ou não!
Os mesmos “factos” (que não são considerados fenómenos sociais, políticos ou revolucionários!!) surgem inabilmente seleccionados, aparecem dum arquivo ciumentamente protegido: a conclusão é simples: em função deles, o camarada Nito é”divisionista”, é”fraccionista”, etc. Como isto é divertido.
Os autores da acusação são absolutamente incapazes de perspectivar os seus”factos” em movimento do tempo e no espaço; são absolutamente incapazes de explica-lo à base do princípio da causalidade; são totalmente incapazes de ver o nexo, a interacção objectiva existente entre os mesmos; são redondamente incapazes de analisá-los à base da lei da necessidade e o seu vínculo interno com a casualidade. Enfim são numa palavra, metafísicos ou pelo menos procedem como tal.
Em tese, os autores da acusação negam simplesmente o princípio do determinismo filosófico – pedra angular de toda a explicação verdadeiramente científica do mundo e seus fenómenos, quer sociais, políticos e históricos e das leis objectivas que os regem.
Na verdade, como argumentar diante de um areópago, diante de juízes que negam ou desconhecem o método dialéctico do conhecimento ? Como defender a verdade diante de metafísicos, ou hegelianos? Como defender a demonstrabilidade da essência dos fenómenos sociais em presença, quando os juízes aparecem vestidos com a toga do maoísmo? Algumas cadeiras especiais na corte dos juízes são ocupadas pelos”revolucionários de salão”, que ostentam o seu pedantismo pretensioso , o seu ecletismo filosófico.
O caminho é apenas um único: opor energicamente à concepção idealista do mundo dos meus acusadores a concepção marxista-leninista com um todo e não com amputações.
A filosofia descoberta por Marx e Engels e enriquecida posteriormente por Lénine ensina-nos o seguinte:”Divórcio entre a dialéctica subjectiva (o movimento do conhecimento) e objectiva (o movimento da matéria) é a raiz da gnoseologia (5) fundamental do agnóstico (6)”; tal é a verdade científica que nos oferece F.V. Konstantinov, no seu livro Fundamentos da Filosofia Marxista-Leninista, editada pela Academia de Ciências da URSS.
No fundamental, aquela tese bastava para derrubar o argumento idealista de que se servem os meus acusadores. E o fundamento desta afirmação reside na seguinte tese de Marx:”antecipar conclusões que é preciso demonstrar em primeiro lugar é pouco correcto”.
Entretanto, em relação ao método e técnica científica de recolha e utilização científica das informações, importa dar notícia do que sobre a matéria nos diz O. Yakot, no seu livro, O Que é O Materialismo Dialéctico?
“Primeiro de tudo, é necessário que os factos sejam cuidadosamente verificados. Se forem recolhidos à pressa e sem verificação, não se pode atingir a essência das coisas. Lénine sublinhava constantemente que os factos não são”cabeçudos” e conclusivos se não quando forem estudados sob todos os aspectos e cuidadosamente peneirados. Se os factos são tomados arbitrariamente, são apenas”brinquedos ou coisa pior”.
E continua:”assim, conhece-se a essência dos fenómenos na base dos factos recolhidos. Estes últimos devem ser reunidos em quantidade suficiente e cuidadosamente verificados. Quanto à conclusão, deve ser cuidadosamente verificada” (7). O sublinhado é meu.
E quando se trata de conhecer fenómenos da praxis revolucionária, diria eu, importante é verificar quem é que recolhe a informação; qual é a sua vinculação de classe; qual a sua concepção do mundo; o método que utiliza. O mesmo se aplica aos sujeitos da interpretação e conclusão.
O nosso autor, cita o grande génio russo Pavlov que escreveu:”Não vos converteis em arquivistas dos factos. Ensaiai penetrar no mistério do seu aparecimento. Procurai com preserverança as leis que os regem”. Não se pode chegar aqui senão com ajuda do pensamento abstracto”, fim de citação.
Em definitivo, os procuradores dum outro público neste Comité Central, nomeadamente o Secretário Administrativo do Bureau Político, não podem resistir ao método por mim utilizado: o materialismo dialéctico, posto que ao utilizarmos critérios não só diversos como irreconciliáveis divergimos logo à partida e sempre.
Os meus acusadores procedem contrariamente a estas lições do materialismo dialéctico. Com efeito, como provarei mais adiante, os meus acusadores recolhem os”factos” básicos da acusação a partir do meio e seio da própria pequena burguesia, recolhem-nos do meio e seio das forças coligadas da contra-revolução interna, e com estes”factos”, pretendem tirar quer a acusação em si, quer o seu fundamento! Estes senhores querem tentar, por estranho milagre inverter de novo a dialéctica, virá-la da cabeça aos pés como fez Hegel a seu tempo. Mas, desde que Marx e Engels a puseram de pé, erguendo-a dos pés à cabeça, a dialéctica nunca mais será invertida, queiram-no ou não os ideólogos da pequena-burguesia ou média – burguesia.
O método metafísico é doentio, próprio das forças sociais em decadência; é um método que é incapaz de operar mentalmente, incapaz de sair dos limites do sensorial -concreto para o abstracto, logo, impotente para se elevar do grau sensorial do conhecimento para o seu grau lógico, que é a abstracção; nega a capacidade cognoscente do homem, viola os princípios elementares da lógica, etc, etc,.
Não acredito que os membros do Comité Central queiram fazer uma grave excepção aceitando o malabarismo idealista dos meus advogados de acusação pois que isso constitui uma violenta afronta às resoluções do 3º Plenário do Comité Central.
Evidentemente, proclamo o marxismo-leninismo como o nosso guia de acordo com as resoluções do 3º Plenário do Comité Central é lógico (até do ponto de vista da lógica formal!) concluir que a polémica termina exactamente neste ponto da lógica dialéctica: o ponto em que se excluem mutuamente, por irreconciliáveis, a dialéctica e a metafísica. Não acha o Comité Central a minha atitude, como sendo a mais objectiva e correcta?
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